Arquivo | maio 2011

Mais um e-mail recebido e interessante…

ESSA CALOU OS AMERICANOS.!!!
SHOW DO MINISTRO BRASILEIRO DE EDUCAÇÃO NOS ESTADOS UNIDOS.

Essa merece ser lida, afinal não é todo dia que um brasileiro dá um esculacho educadíssimo nos americanos!

Durante debate em uma universidade, nos Estados Unidos,o ex-governador do DF, ex-ministro da educação e atual senador CRISTÓVAM BUARQUE, foi questionado sobre o que pensava da internacionalização da Amazônia.
O jovem americano introduziu sua pergunta dizendo que esperava a resposta de um Humanista e não de um brasileiro.

Esta foi a resposta do Sr.Cristóvam Buarque:

“De fato, como brasileiro eu simplesmente falaria contra a internacionalização da Amazônia. Por mais que nossos governos não tenham o devido cuidado com esse patrimônio, ele é nosso.

“Como humanista, sentindo o risco da degradação ambiental que sofre a Amazônia, posso imaginar a sua internacionalização, como também de tudo o mais que tem importância para a humanidade.

“Se a Amazônia, sob uma ética humanista, deve ser internacionalizada, internacionalizemos também as reservas de petróleo do mundo inteiro. O petróleo é tão importante para o bem-estar da humanidade quanto a Amazônia para o nosso futuro. Apesar disso, os donos das reservas sentem-se no direito de aumentar ou diminuir a extração de petróleo e subir ou não o seu preço.”

“Da mesma forma, o capital financeiro dos países ricos deveria ser
internacionalizado. Se a Amazônia é uma reserva para todos os seres humanos, ela não pode ser queimada pela vontade de um dono, ou de um país.
Queimar a Amazônia é tão grave quanto o desemprego provocado pelas decisões arbitrárias dos especuladores globais. Não podemos deixar que as reservas financeiras sirvam para queimar países inteiros na volúpia da especulação.

“Antes mesmo da Amazônia, eu gostaria de ver a internacionalização de todos os grandes museus do mundo. O Louvre não deve pertencer apenas à França.
Cada museu do mundo é guardião das mais belas peças produzidas pelo gênio humano. Não se pode deixar esse patrimônio cultural, como o patrimônio natural Amazônico, seja manipulado e instruído pelo gosto de um proprietário ou de um país. Não faz muito, um milionário japonês,decidiu enterrar com ele, um quadro de um grande mestre. Antes disso, aquele quadro deveria ter sido internacionalizado.

“Durante este encontro, as Nações Unidas estão realizando o Fórum do Milênio, mas alguns presidentes de países tiveram dificuldades em comparecer por constrangimentos na fronteira dos EUA. Por isso, eu acho que Nova York, como sede das Nações Unidas, deve ser internacionalizada. Pelo menos Manhatan deveria pertencer a toda a humanidade. Assim como Paris, Veneza, Roma, Londres, Rio de Janeiro, Brasília, Recife, cada cidade, com sua beleza específica, sua historia do mundo, deveria pertencer ao mundo inteiro.

“Se os EUA querem internacionalizar a Amazônia, pelo risco de deixá-la nas mãos de brasileiros, internacionalizemos todos os arsenais nucleares dos EUA. Até porque eles já demonstraram que são capazes de usar essas armas, provocando uma destruição milhares de vezes maiores do que as lamentáveis queimadas feitas nas florestas do Brasil.

“Defendo a idéia de internacionalizar as reservas florestais do mundo em troca da dívida. Comecemos usando essa dívida para garantir que cada criança do Mundo tenha possibilidade de COMER e de ir à escola.
Internacionalizemos as crianças tratando-as, todas elas, não importando o país onde nasceram, como patrimônio que merece cuidados do mundo inteiro.

“Como humanista, aceito defender a internacionalização do mundo.
Mas, enquanto o mundo me tratar como brasileiro, lutarei para que a Amazônia
seja nossa. Só nossa! “

DIZEM QUE ESTA MATÉRIA NÃO FOI PUBLICADA, POR RAZÕES ÓBVIAS.

Eu concordo com essa linha de pensamento do senador, por isso achei interessante postar aqui esse texto, divulgar o fato, porque essas coisas não recebem a devida atenção!

Os Últimos Lírios No Estojo De Seda

Esse último fim de semana, estive a ler o livro: Os Últimos Lírios No Estojo De Seda de Marina Colasanti.
Esse livro nada mais é do que uma coleção de crônicas, esse gênero literário tão importante em nosso país pelo que tem de democrático me chama muita atenção.
Então, para compartilhar um pouco do que apreciei esses dias, vou transcrever aqui uma das crônicas, espero que vocês gostem tanto quanto eu…

A náufraga
Um bom náufrago é bilheteria certa. Todo mundo quer ver como se sobrevive numa ilha deserta. Todo mundo se pergunta de sobreviveria em idênticas condições. Todo mundo quer sempre, aprender a sobreviver. Sobreviver é nossa tarefa primeira, já que somos todos náufragos.
Mas tendo devidamente assistido ao filme de Tom H anks, ouso dizer que as mulheres não naufragam como os homens.


Mulher nenhuma, por exemplo, entraria naquela caverna úmida à noite, em plena escuridão. Não é uma questão de medo, é uma questão de prudência. Ele tinha uma lanterninha, é verdade, mas o que pode uma lanterninha contra escorpiões, aranhas, morcegos e outros habitantes da rocha? Uma mulher teria explorado a caverna de dia, ou teria apanhado chuva por uma noite. Tendo entrado, porém, mulher nenhuma esbanjaria luz da única lanterna, com sua única pilha, só para consolar-se olhando o retratinho do namorado. O amor é lindo, mas a economia doméstica tem suas regras.
Penso em mim mesma náufraga. Em primeiro lugar, nada de morar na gruta cinzenta e inóspita. Teria construido uma casa. Havia ali material de sobra, troncos variados e folhas de palmeira que entrelaçadas dariam paredes e teto da melhor qualidade. Minha casa poderia ter um cômodo só, mas com janela olhando para o mar. Em caso de grave tempestade poderia até procurar refúgio na gruta, mas nos dias tranquilos e nas noites amenas, ter uma casa me aqueceria a alma. É possível que com o tempo, e com as fibras disponíveis conseguisse até fazer algo parecido com uma rede, na qual me deitaria para pensar na vida e, quando fosse inevitável, chorar.


O cabelo crescido eu trançaria para não embaraçar. Se quizesse poderia cortá-lo curto, com fio de pedra, mas não quereria. O cabelo longo, a lavar com água de chuva e pentear com pente feito de espinhos, me faria companhia. E seu comprimento me diria do passar do tempo.

Ao contrário de Tom Hanks, não comeria com as mãos. Com a lâmina daqueles patins, cortaria para mim palitos japoneses. Uma lasca de pedra seria meu prato, e com os cocos todos que os coqueiros não paravam de despejar faria cumbucas variadas. Havendo lama e fogo, modelaria e tentaria assar panelas e depois pratos. Falharia nas primeiras vezes, mas teria todo o tempo para tentar de novo.
Nem limitaria meu cardápio a siris assados na brasa ou peixes crus. A água do mar, devidamente isolada, secaria deixando-me o sal indispensável a qualquer comidinha esperta. O leite de coco seria elementar de conseguir, e eis aí,  meio pálido talvez pela falta de tomates, uma moqueca, um ensopadinho de siri. Isso para não falar no quase bacalhau que obteria secando o peixe no sal e dessalgando-o em seguida. Enfim, dava para aliviar o tédio alimentar.
Ilha madrasta a do filme. Nenhuma ave, nenhum bichinho que pudesse adotar.

Naquelas circunstâncias, uma bola que já vem com nome, Wilson, pode mesmo parecer companhia para um homem, acostumado desde pequeno a gostar de bola. Mas uma mulher teria feito de palhas e folhas, uma boneca, teria gestado uma criatura com braços e pernas, sua semelhante. Talvez lhe fizesse roupinhas. E com ela dialogaria.
Numa ilha deserta, sobreviver é não apenas manter a vida, mas conservar a própria identidade humana. Para um homem, vencer a natureza é afirmar-se como homem. E Tom vence a natureza duplamente, continuando vivo e escapando da ilha. Uma mulher vence a natureza d e outro modo, organizando-a. Uma mulher não teria talvez a força física para escapar da ilha. Mas quando alguém finalmente lá chegasse, já não encontraria uma ilha selvagem.

Bem, é isso, me identifiquei tanto com esse texto que resolvi compartilhar, sei que um “pouco” comprido se comparado a textos que já postei aqui, mas definitivamente acho que vale muito a pena de se ler, nem que para isso se gaste cinco minutos a mais… esse texto me dá idéia da própria natureza humana, mostra a capacidade que o ser humano tem de inventar, criar recusos quando tudo parece tão ruim e tão perdido, não é mesmo? Mostra a diferença do gênero. Espero que tenham gostado!

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