– A Casa do lago

O filme A Casa do Lago, produzido nos EUA em 2006, com direção do argentino Alejandro Agresti tem a participação dos atores: Keanu Reeves (Alex Wyler), Sandra Bullock (Kate Foster) e Christopher Plummer (Simon Wyler).
O filme foi baseado no clássico Tarde Demais para Esquecer (1957), com os atores Cary Grant e Déborah Kerr.
O filme A Casa do Lago narra a história de Kate Forster, uma médica solitária, que morava em uma casa à beira de um lago, no ano de 2006. Nesse ano, ela deixa a casa para trabalhar no hospital, em Chicago, após o término de sua residência. Na partida, ela deixa um bilhete para o próximo inquilino, pedindo que ele encaminhe as correspondências que chegarem para o seu novo endereço.
A médica menciona também que as inexplicáveis marcas de patas de cão na porta da frente da casa já estavam lá, quando ela se mudou.

Em 2004, a casa do lago esta ocupada por Alex Wyler. Um arquiteto frustrado, que possui a mesma profissão de seu pai.

Simon Wyler é um arquiteto renomado, mas que abandonou a família em função da vida profissional, e Alex não o perdoa, e sentencia: “Ele sabe construir uma casa, mas não sabe construir um lar”.
Kate e Alex acabam se conhecendo, em 2004, durante a festa de aniversário dela; nesse momento, eles descobrem suas afinidades. Mas o encontro foi rápido demais para Kate e nada significou.

O diretor utiliza esta cena como um pretexto para que o casal trave conhecimento, o homem ter encontrado a moça, com sugestão de que os dois são feitos um para o outro e também a insinuação de que o encontro já teve lugar, meramente no sentido de ser predestinado, o destino une os amantes, independente do tempo ou lugar.

A casa do lago é a protagonista do filme e também o cupido entre o casal. Outro elo entre eles é a cachorra chamada Jack, que possue um comportamento quase humano.

O casal passa a trocar cartas e, assim, eles ficam mantendo um relacionamento à distância e em tempos distintos. E ao se descobrirem apaixonados um pelo outro, eles buscam um meio de se encontrar, mas eles não imaginavam que entre os dois existia um grande “obstáculo”, que eles teriam de vencer: o tempo.

É TEMPO DE AMAR

A diferença do tempo cronológico no filme é uma metáfora e simboliza como é importante estar pronto para viver um amor quando ele acontece. Os dois lados devem estar procurando a mesma coisa, a mesma vontade de viver a experiência do amor. E quando se encontram devem estar no mesmo tempo interno, o que significa que o casal deseja viver o amor, estando atento para desfrutar da experiência amorosa quando ela surge.

Mas, as pessoas vivem dentro de suas próprias circunstâncias de vida, cada um em seu tempo e muitas vezes estão num momento difícil, como, por exemplo, enfrentando problemas financeiros, doenças, o que pode afetar a concretização da união, porque os indivíduos não estão prestando atenção ao que acontece ao seu redor e estão comprometidos com a situação que está gerando as dificuldades em suas vidas. Portanto, quando o amor aparece na vida de alguém ele deve ser percebido e acolhido, imediatamente.
Em 2004, Alex tentou conquistar Kate, mas era um momento inoportuno e conseqüentemente ele foi rejeitado. Será que foi uma punição do destino porque ele não esperou o tempo certo? Esta é uma das mensagens que o filme pode nos transmitir.
O filme mostra também que o relacionamento do casal se desenvolve à distância e as cartas que trocam entre si acabam auxiliando-os a se conhecerem, mesmo em tempo cronológico distinto.
Em plena era da comunicação eletrônica, da Internet, eles usam as cartas e com um tempo maior decorrendo entre a pergunta e a resposta, se indagavam sobre o trabalho, o cotidiano e outros assuntos. Assim, eles têm tempo suficiente para saber mais sobre as idéias e emoções de cada um.

Segundo a escritora Mônica Buonfiglio, em algumas décadas atrás, não havia outra forma de comunicação a não ser por cartas ou telefone.
Era relativamente comum que o namoro se desenvolvesse através de correspondências. E depois poderiam até ficar noivos, sem terem usufruído da companhia de um e de outro. E como conseqüência, o casal poderia marcar o casamento, sendo o primeiro encontro entre eles na Igreja, no dia do matrimônio.
Felizmente, hoje temos a Internet e a comunicação pode se desenvolver em qualquer canto da Terra, em qualquer tempo. A diferença é quando se inicia um relacionamento na rede, as idéias do outro, os seus interesses, o que pensa e sente ficam em primeiro plano e o aspecto físico, em segundo, porque só vai ocorrer quando se encontrarem.

Para Sigmund Freud (1856-1939), na hora da escolha amorosa todos nós temos uma imagem de como deve ser nossa cara metade, e a origem das escolhas amorosas está no passado, mais especificamente na infância, quando o primeiro objeto de amor são nossos pais. Os relacionamentos são fortemente associados a nossos modelos parentais e às identificações do período edípico (mãe, pai, professores, irmãos etc.).
Num casal, os sujeitos conjugam aspectos conscientes e inconscientes originados na trama identificatória da qual fazem parte sentimentos, emoções, fantasias, idéias, expectativas etc.
E quando bate a sintonia de ambos, a mesma freqüência somada à química sexual, a relação amorosa pode dar certo. Amar é ver o outro como indivíduo, portanto, o amor não pode ser uma ilusão. Amar é ver o outro como ele é real, simples e verdadeiro.

A ANATOMIA DO TEMPO NO CINEMA

O diretor utiliza um paradoxo temporal que é um diferente aspecto de tempo em cinema. A maneira pela qual o filme modifica o tempo do mundo real vai desencadear em uma estrutura dramática e rítmica a qual não estamos acostumados, que é o tempo não linear.
Agresti utiliza três aspectos de tempo neste filme: físico, psicológico e dramático.
O tempo físico refere-se ao tempo tomado por uma ação ao ser filmado e projetado na tela; tempo psicológico é a impressão subjetiva, emocional, de duração que o espectador experimenta ao assistir ao filme; tempo dramático é a compreensão do tempo levado pelos acontecimentos narrados, que ocorre quando são transformados em filme. (Debrix, 1969)
A proposta de Agresti neste filme de ação não linear é que a forma como o tempo passa na tela possa afetar nosso estado mental, provocando muitas emoções, “aqui e agora”, ao contrário dos filmes convencionais que suscitam emoções de acordo com o tempo real.
O tempo é um elemento marcante neste filme e que influencia tanto os personagens, como a história. O diretor neste filme fabrica o tempo e o espaço fragmentado, muito semelhante a mente humana e da forma como ela funciona, isto é, em “pedaços”.
Por meio deste mecanismo, o cinema tem a capacidade de transportar nosso “tempo psicológico”, fisicamente na tela.
Essas divisões do tempo em cinema se fundem e funcionam como um conjunto, mas para o espectador é apenas algo que acontece “agora” e com isso, o espectador pode ser estimulado a lidar apenas com as subjetividades do filme.
Este recurso técnico de cinema, chamado de “retrospectos”, pode ser usado de diversas formas e neste filme, o diretor usa cortes diretos sem preâmbulos, quando se configura a situação, em oposição aos filmes convencionais.
Para o cineasta francês Jean-Claude Carrière, no cinema os dias e as noites não se movem em uma seqüência regular como na vida. Eles nem chegam perto de uma tal seqüência. Existem até “dias e noites fílmicos”, que dividem o tempo de uma maneira única, que pertence exclusivamente ao cinema. (Carrière, 2006)
Todos nós temos consciência da passagem do tempo, que pode estar ligado à percepção inconsciente de nosso ritmo corporal, pulsação do coração, respiração etc.
O nosso tempo fisiológico funciona como se possuíssemos um relógio interior que já está programado em nosso genoma, e do qual nos damos conta quando o esquema habitual de nossas vidas é alterado, por exemplo, pela mudança de fuso horário. Esse relógio interior está localizado no hipotálamo, numa região do cérebro, que marca o nosso ritmo interno conjugando com o tempo cronológico. (Viver Mente e Cérebro, 5/2005).
E para falar do tempo psicológico, remete-se à seguinte metáfora: “O tempo é a substância de que sou feito, o tempo é um rio que me arrebata, mas eu sou o rio (…)”, de autoria do poeta argentino, Jorge Luis Borges. (Viver Mente e Cérebro,5/2005)
As nossas percepções, pensamentos e ações se desenrolam no tempo e organizamos este tempo, que é uma sucessão de momentos separados, no nosso consciente e inconsciente, como o rio de Borges.
Ao estabelecer uma analogia do nosso tempo psicológico com o do cinema, podemos constatar que a seqüência ininterrupta de imagens tematicamente ligadas, a narrativa visual e a música contribuem para narrar um filme. E o que há de comum entre a imagem e a música no cinema? O tempo cronológico que será construído de acordo com as intenções do diretor, do que ele pretende nos contar, nostei mostrar em cada cena.

Gostei muito desse filme, mas confesso que se não tivesse ficado completamente concentrada na trama toda, teria me perdido, achei ele um pouco complexo, talvez pela metáfora do tempo, sei lá!
E vcs curtiram esse filme??

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One response to “– A Casa do lago”

  1. Gracy says :

    Eu amo esse filme!! Assistir muitas vezes… É lindo demais!!!

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